Modo de uso e preparo de ervas


As ervas podem ser usadas nas seguintes formas: cápsulas oleosas, extratos secos, pó da erva moída, comprimidos, sucos, compressas, banhos, gargarejos, inalações e banhos. Algumas ervas são mais eficazes na forma de chá. Os chás podem ser preparados por infusão, maceração ou cocção.   

  Cautela


Qualquer substância que seja capaz de modificar uma função do organismo e de que possa resultar em mudanças fisiológicas, mesmo sendo natural, deve ser usada com cautela. Se sentir reações adversas ao tomar um chá ou um fitoterápico, pare de tomar.

  Dosagem


A quantidade de chá varia de erva para erva; mas em média é de 10 gramas para erva verde, ou 5 gramas para erva seca, para 1 litro de água. Pode-se tomar em média de 2 a 3 xícaras ao dia; crianças até 12 anos, tomem sempre metade da dose. É necessário ter cuidado com as medidas, uma vez que mesmo as plantas benéficas podem ter efeitos colaterais ou reações adversas, quando tomadas em excesso. A experiência demonstra que as doses altas não são mais eficientes do que as doses mínimas.


Devemos considerar a importância da afecção do indivíduo (crônica ou grave), podendo a dose ser mínima ou máxima, se a doença for crônica ou aguda. A receptividade ao chá ou fitoterápico pode variar de um indivíduo para outro; por isso o profissional especializado auxilia a regular e ajustar a dose de seu paciente.


Embora dependamos do histórico clínico, da gravidade de cada caso, devemos ter a definição pelo menos da dosagem média; pois, quando se ultrapassa a dose, pode-se induzir a efeitos iatrogênicos, ou reações farmacológicas não desejadas.


Lembremos sempre a célebre frase de Hipócrates “Primum non nocere - em primeiro lugar não deve prejudicar”. Recentemente vi num programa de tevê um profissional que dizia ser “entendido” em fitoterapia, ensinando uma receita com 50 gramas do guaraná em pó para 1 litro de suco. Na verdade, a dose do guaraná não deveria ultrapassar seis gramas diárias. A dose sugerida por ele pode induzir um indivíduo hipertenso a infarto ou AVC. Esta dose de guaraná infelizmente vem sendo sugerida em muitos livros escritos por leigos; cada autor coloca dosagens absurdas, que têm variado de 20, 30, 40 até 50 gramas, enquanto a dose média é de 3 a 10 gramas para ervas secas. Há plantas que possuem princípios ativos tão severos que suas dosagens devem ser precisas e seu consumo orientado por médicos. Exemplos: beladona, mandrágora, dedaleira (digitalis), etc.

 
A quantidade de ervas deve ser cuidadosamente respeitada; para tanto, observe-se a seguinte tabela de equivalências:

  uma colher de café = 2g

   uma colher de sopa = 5g.

   uma xícara de café = 50ml

   uma xícara de chá = 100ml.

  Adoçar


Os chás geralmente não precisam ser adoçados. Em alguns casos, pode-se usar o mel, aproveitando também suas propriedades; ex: gripes e tosses. A adição de mel no chá e nos xaropes só deve ser feita depois de morno ou frio.     

  Tempo de uso


Recomenda-se usar quando houver necessidade, ou quando indicado para um tratamento. O período varia de 30 a 45 dias; dependendo da doença a ser tratada, o período pode ser maior.    

  Utensílios


Utensílio de metal pode causar alterações no efeito e no sabor do chá; o ideal é usar recipientes de vidro, de barro, de louça ou esmaltados.      

  Validade


Em média, se bem tampado, o chá dura até 4 a 6 horas depois do preparo; mas  ideal é preparar a quantidade suficiente para o dia. Não se deve guardar chás, compressas, infusões, cataplasmas, xaropes ou ungüentos por mais de 4 horas, pois, além de perderem sua ação medicinal, podem servir de ambiente para fungos. Extratos e tinturas, por serem álcoois, são mais duráveis, podendo ter prazo de validade mais longo. Ervas desidratadas, se acondicionadas em embalagens apropriadas e em ambiente propício, conservam suas propriedades até 2 anos; os extratos secos, até 5 anos.

  Banho


Imersão pode ser com água ou chás de ervas especificadas para cada patologia; pode ser morno ou frio, durando em média 30 minutos. Pode ser feito todos os dias, ou três vezes por semana.  

  Cocção


Consiste em cozinhar a planta. Este processo é mais usado para raízes, rizomas, caules e cascas; mas algumas espécies de plantas, dependendo da substância a ser extraída, como os taninos, até mesmo as folhas ou flores precisam ser fervidas, podendo variar de 3 a 15 minutos, sempre com recipiente tampado para evitar a evaporação das substâncias. Após a fervura, deixa-se repousar por 10 minutos, com o recipiente tampado. Em seguida, coar.

  Compressas


Podem ser quentes ou frias. Cozinhar as ervas indicadas até se obterem líquidos bem fortes (3 a 4 vezes mais do que os chás); a seguir, mergulhar o pano no líquido; depois de torcido, aplicar sobre a parte dolorida ou afetada. Para aliviar dores, tensões ou facilitar a resolução de inflamações, usam-se chás com propriedades antiinflamatórias e emolientes, ou com ervas de ação relaxante para promover relaxamento, etc.

  Cataplasma de ervas frescas


Depois de amassadas, aplicar diretamente sobre a parte afetada, sem preparação prévia.

  Cataplasma sob forma de pasta


As ervas são moídas até formarem uma pasta, podem ser aplicadas no local, diretamente, ou sob panos. Quando não se tem erva fresca, usa-se a seca. É preciso água fervente nas ervas, para auxiliar a formação da pasta. Outra maneira de preparar a cataplasma é misturar a erva com farinha de fubá ou argila para dar liga. Espalha-se a mistura morna sobre o local afetado. Passar óleo na pele antes de aplicar cataplasma. Um pedaço de plástico flexível sobre a cataplasma conserva umidade e o calor.

  Escalda-pés


Numa bacia, colocar água fervendo com ervas ou óleo essencial. Colocar os pés na água quente o tempo próximo do possível até agüentar a temperatura e submergir os pés. Retirar os pés da água antes que ela se amorne e secá-los bem.

  Infusão ou tisana


Consiste em despejar água fervida sobre a planta e depois abafar por uns 15 minutos ou até esfriar. Este processo é utilizado para flores, folhas e também para ervas aromáticas, pois pela ação do calor, pode-se perder o aroma, o sabor e alguns princípios ativos.  

  Gargarejo


O gargarejo pode ter finalidades antiinflamatórias ou anti-sépticas, ou ser recomendado para enxágüe bucal, mau hálito, inflamações de gengivas e de garganta.

 
Hidrolato é um medicamento de erva obtido por destilação, com arraste pelo vapor de água. A água destilada, por exemplo, é um hidrolato,  chamado de hidrolato simples, para distinguir-se dos hidrolatos compostos, como o hidrolato de melissa, de tília, de calêndula, etc.

  Inalação


É feita com vapor de ervas específicas para as vias nasorrespiratórias, em casos de congestão nasal ou doenças do aparelho respiratório. Preparar as ervas como um chá em tisana ou infusão. Ferver o chá da planta, tampando o recipiente enquanto estiver no fogo; deixar esfriar um pouco e, com um funil de papelão, inala-se o vapor profundamente, cuidando para não queimar-se.      

  Maceração


Consiste em retirar ou extrair da planta as substâncias que são consideradas princípios ativos; normalmente é feita moendo previamente a planta a macerar, utilizando-se um solvente (álcool, vinho ou óleo) para extração dos princípios ativos, ou deixando na água por um determinado período.  


Depois de elaborada em temperatura ambiente, colocar a planta finamente dividida em contato com o líquido extrator (álcool de 40 a 80 graus) em recipiente de aço inoxidável, por período de até quatro semanas. Após esse período, o macerado deve ser coado e filtrado. É usada para folhas e raízes frescas ou secas, frutos secos ou frescos. Este processo preserva melhor as vitaminas e sais minerais.

  Óleo carreador ou medicinal


Colocar em maceração a planta fresca ou seca, trituradas, na proporção 500 g da planta para 500 g de óleo em banho-maria durante 1 a 3 horas em fogo baixo. Esfriar, coar e espremer o resíduo. É usado para massagens, cataplasmas, máscaras e cremes de beleza.

  Óleos essenciais


São as essências concentradas das plantas obtidas a partir do processo de destilação.

  Tintura


Pôr 100 g da erva em pó, ou 200 g de ervas frescas picadas num recipiente com tampa que o feche hermeticamente; acrescentar 1.000ml de álcool de cereais ou vodka. Agitá-lo uma vez ao dia e deixar por 10 dias. Coar e guardar num frasco escuro.

  Tintura de vinosa


Usar vinho branco com graduação alcoólica baixa. A proporção de 15 g de erva seca ou 30 g de erva fresca para cada 1.000ml de vinho; macerar em vidro escuro por uma semana; coar e manter em lugar fresco.

  Ungüentos


São pomadas de ervas trituradas, colocadas em gordura vegetal, de coco ou cera de abelha. No momento do uso, é só derreter em fogo brando. Outro preparo é picar ervas frescas, colocar numa vasilha esmaltada; cobrir as ervas com água; levar ao fogo até quase secar a água. Depois, coar e adicionar a uma quantidade de azeite de oliva ou óleo de girassol. Voltar ao fogo e ferver até a água evaporar e sobrar somente o óleo. Tirar do fogo a adicionar cera o suficiente para dar à mistura a consistência de pomada. Acondicionar ainda morna em vasilha com tampa que vede bem.

  Xaropes


É infusão concentrada que se caracteriza como bebida concentrada padrão. Geralmente usam-se 12 g de ervas para 400 ml de água fervente. Podem ser obtidos também por decocção ou maceração e misturados com mel.  

  Armazenagem


A armazenagem deve evitar contato com ar, água, luz e calor. O ar pode ser evitado guardando-se as plantas em embalagens bem fechadas. A umidade pode ser evitada, estocando-se, por pouco tempo, as partes verdes em lugares secos, ou secando-as lentamente. Se guardadas em armários fechados ou em potes opacos, preserva-se da claridade e da luz do sol. Não se secam plantas em forno de microonda; o processo de desidratação deve ser lento para que a umidade evapore sem afetar os princípios ativos; não congelar as ervas, pois o frio pode queimá-las, e o congelamento pode acumular umidade.

  Coleta


Algumas preparações incluem folhas verdes e outras, folhas secas. As folhas verdes devem ser coletadas antes da floração, no horário da manhã. As folhas devem ter sido armazenadas à sombra, separadas umas das outras para evitar a fermentação. 


A época ideal para coleta de folhas, flores e caules é o início da floração. A raiz e o rizoma devem ser coletados no  outono ou no inverno.

  Cultivo


As plantas de uso medicinal devem ser cultivadas em solo limpo, sem contato com refugos, águas contaminadas ou animais; para a adubação deve-se utilizar apenas adubo orgânico.